Depois de fechar maternidades, SUS de Curitiba 900 cesáreas por ano

Fechadas em 2020 como parte das medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19, as maternidades Bairro Novo e Vitor do Amaral podem ter tido um impacto no aumento do número de cesáreas na cidade. Dados relativos a nascimentos de 2017 a 2021 apontam que a rede SUS teve um aumento de 5 pontos percentuais no índice de cesáreas da capital depois do fechamento das unidades.

Os dados usados nesta reportagem podem ser consultados no projeto Nascer Bem, que foi realizado e é mantido pelo Plural.

As duas unidades tinham os menores índices de cesárea da rede e eram referência para parto humanizado na cidade, apesar de realizarem, cada uma, cerca de dois mil partos por ano.

Segundo os dados do Datasus analisados pelo Plural, a rede pública de saúde curitibana tinha taxa de cesárea de 45% entre 2017 e 2019, quando as duas unidades ainda estavam ativas. O índice já era muito superior aos 10 a 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas inferior aos 84% da rede privada da cidade.

Já em 2020, quando as maternidades foram fechadas, a taxa de cesárea subiu para 50%, o que implica na realização de quase 900 cirurgias a mais. O índice se manteve em 50% em 2021. Tanto em 2020 quanto em 2021, houve uma queda no número total de nascimentos da cidade em relação aos anos anteriores.

Os mais de 4 mil partos que deveriam acontecer nas maternidades fechadas foram transferidas principalmente para a Maternidade Mater Dei, que é privada, mas presta serviço para o SUS, o Hospital do Trabalhador e o Hospital de Clínicas, que absorveu a Maternidade Vitor do Amaral.

Tanto a OMS quanto o Conselho Nacional de Saúde recomendam o parto vaginal por respeitar a fisiologia do desenvolvimento do feto e do processo natural de nascimento.